5 COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE O 7 DE SETEMBRO

YZG | Cultura

03

SET

Todo fato histórico muito importante para uma nação traz consigo uma série de construções produzidas para deixá-lo mais épico e espetacular do que realmente foi. Com a Independência do Brasil não é diferente, e a narrativa contada sobre a data não corresponde totalmente a tudo que aconteceu na época. Por isso, no post de hoje, nós mostraremos algumas coisas que vão um pouco além do que se ouviu às margens plácidas do Ipiranga.

Não houve tanto glamour como no quadro “Independência ou Morte”

Ao ouvirmos as palavras “Independência do Brasil”, logo vem à mente o famoso quadro feito por Pedro Américo. A pintura narra uma cena épica, composta de oficiais vestidos com uniformes militares impecáveis e montados em seus cavalos brancos. No centro da imagem, um imponente Dom Pedro, com trajes de gala, ergue sua espada e brada o famoso “Independência ou morte!”.

Porém, o que os historiadores contam não foi tão glamouroso assim. Dom Pedro, à época ainda como príncipe regente, voltava de Santos. Já em São Paulo, recebeu a carta que simbolizou o início do processo da Independência do Brasil. Imagine que eles estavam no fim de uma viagem difícil e cansativa, o que nos faz visualizar um Dom Pedro portando roupas simples de algodão bastante sujas de terra.

Além disso, não havia uma tropa de soldados ao seu redor, até porque os Dragões da Independência só foram criados anos depois do fato narrado na tela. Podemos imaginar uma comitiva bem menor acompanhando o príncipe, formada por uma pequena guarda igualmente cansada e suja de barro. Os belos cavalos brancos também não eram realidade, visto que o trajeto era feito com mulas.

O grito de “Independência ou morte!” não foi tão forte assim

Em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro recebeu uma carta de seu pai solicitando que retornasse imediatamente a Portugal. O príncipe, apoiado pela aristocracia do Rio de Janeiro, bradou as famosas frases: “Se é para o bem de todos e a felicidade geral da nação, declaro que estou pronto! Diga ao povo que fico!”.

A data, que ficou conhecida como Dia do Fico, indicou os rumos que o Brasil tomaria. A discussão era acerca do modelo de governo que deveria ser implantado no novo país. Apoiadores da monarquia insistiam na manutenção do príncipe; já os republicanos sonhavam em instaurar um sistema tal qual fizera a Revolução Francesa anos antes. Fato é que o desejo por independência já vinha há algum tempo, e estava apenas esperando o seu estopim.

O momento histórico narrado pela Independência foi o gatilho. Tropas enviadas por José Bonifácio viajaram a fim de entregar uma carta da coroa portuguesa que chegara a Dom Pedro. O príncipe recebeu a mensagem que exigia novamente que ele retornasse à Europa. O futuro Imperador do Brasil decidiu, então, que era a hora de finalmente romper com Portugal. Fez um pequeno discurso para a tropa que o seguia, que pode ou não ter contido a frase “Independência ou Morte!”.

Esse cenário leva a concluir que o momento do dia 7 de setembro não foi um insight heróico puxado por um corajoso Dom Pedro, como as imagens procuram mostrar. Na verdade, já era algo esperado, que iria acontecer uma hora ou outra.

E também não foi “às margens do Ipiranga”

Outra inconsistência histórica se deve ao fato de que o Grito da Independência não teria sido proclamado às margens do Riacho do Ipiranga, local que, atualmente, dá o nome a um bairro na cidade de São Paulo. Historiadores contam que, durante a volta de Santos, o príncipe sofreu bastante com alguns problemas intestinais, que o fizeram parar por diversas vezes para se aliviar no meio das plantações.

Com isso, estima-se que no momento em que Dom Pedro recebeu a carta, ele estava em um local montanhoso um pouco afastado do riacho. Provavelmente, não se ouviu muita coisa do Ipiranga, como o hino nacional brasileiro diz em uma das suas estrofes.

O processo de independência não foi tão pacífico assim

Devido à ausência de uma grande guerra por independência, costuma-se enxergar o processo de separação do Brasil de Portugal como um acordo entre pai e filho. Porém, isso não é totalmente verdade. De fato não houve um grande confronto com o país europeu, como ocorreu em algumas outras nações do continente. Além do mais, o novo governo brasileiro pagou uma taxa para o acordo do reconhecimento, mas isso não torna o movimento totalmente pacífico.

O principal apoiador do regime monárquico de Dom Pedro foi a aristocracia rural das províncias do sudeste, principalmente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Porém, os outros estados não eram tão favoráveis ao novo imperador, que não encontrou um país unido no momento de sua posse. O novo governo teve que encarar um território extenso e fragmentado, o que ocasionou uma série de guerras, motivadas tanto pela resistência portuguesa quanto pelas tropas do Imperador do Brasil.

O Dia da Independência nem sempre foi 7 de setembro

Durante o governo de Dom Pedro II, a Coroa procurou resgatar os acontecimentos históricos do Brasil para o fortalecimento de uma identidade nacional. Para a independência, havia algumas opções, como o 9 de janeiro (Dia do Fico) ou o 1º de dezembro (Dia da Coroação), por exemplo.

Não se tem dados precisos afirmando que o recebimento da carta na chegada em São Paulo ocorreu precisamente no dia 7. A escolha da data foi fruto de um processo que se iniciou ainda em 1822. Em setembro do mesmo ano, os adeptos do governo enviaram diversas cartas a outras províncias para conseguir apoio dos políticos locais.  Além disso, a assinatura do reconhecimento da independência por Portugal foi escolhida para ser no dia 7 de setembro de 1825.

Graças a tudo isso, a data foi eleita para simbolizar o Dia da Independência do Brasil, motivando comemorações espalhadas por todo o país.

É importante salientar que a construção da imagem da independência foi um processo comum a muitos países, e a criação de “mitos” sobre os fatos é uma prática para criar um movimento de identificação com a história nacional. O importante é ter a curiosidade de ir atrás de outras visões sobre o mesmo momento histórico, ampliando sua capacidade de compreender a realidade à sua volta.

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